- 1979 -
Hair.
Foi algo inesperado. De início achei que se tratava de mais alguma história sobre colégio e drogas, tipico de adolescentes rebeldes da época. Porém Hair é um musical que aborda várias questões que marcaram os anos 70, ver a filmagem é como uma viagem no tempo, lá você descobre quais eram as lutas e as ameaças dessa época passada.
Fala sobre o preconceito de cor de forma cantada, a letra diz muito e enaltece o que é belo em pretos e brancos, tratando com naturalidade algo que de fato é natural, mas ainda sim naquela época era marginalizado. A questão de viver pelas ruas em grupos, como família, também é cantado sobre não ter nada material ou significativo pra sociedade e em contra partida, sobre ter tudo o necessário, como por exemplo a si mesmo (liberdade).
Um grupo de jovens alegres e que só querem se divertir e viver em paz, o rapaz que une a todos acaba sempre arriscando o pescoço e dando tudo de si para que cada um no grupo esteja bem. Essa característica que traçou seu destino trágico, deixando os espectadores num misto de angustia e melancolia.
Se o desejado era que nos prendessemos ao protagonista, não deu muito certo, pois o quarteto de amigos roubou completamente a cena do início ao fim do filme. Vemos o protagonista apenas sendo arrastado por eles, enquanto os mesmo brilham e fazem tudo, acabamos por nos apegarmos a cada um deles.
Hair é um daqueles filmes que diz muito e de forma simples, que você assiste algumas vezes depois que esquece, só pra poder relembrar alguma música ou cena preferida. No meu caso, a cena onde se canta sobre cabelos grandes é a minha escolhida, mais uma vez o tabu sobre rapazes de cabelo longo serem todos gays é quebrado e destruído com os versos :
"Querida, quero uma cabeça com cabelo.
Comprido e bonito!
Brilhando, reluzindo, loiro, sedoso
Até os ombros ou mais comprido
Cabelo por todo lado, cabelo"






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