- 1964 -
Um dos vários filmes que acabo achando sem querer, nem mesmo lembro o que pesquisava pra chegar até ele, talvez alguns vídeos de temática homossexual. No entanto um filme no youtube, completo, antigo e legendado em inglês por ele ser francês, realmente como fui entende-lo?
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Eu assisti mesmo assim, tentava assemelhar palavras conhecidas as ações deles e meio que entendi o que se passou em geral. O que me assustou foi o ano gravado, cá entre nós a década de 60 não foi ontem... E justamente por isso, um filme gay? O tema diz 'Essa amizade especial', mas foi apenas modo de nomear a relação deles, que ainda eram muito jovens pra chamar de amor, porém o filme deixa claro que não era apenas amizade.
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Como se esse susto não fosse suficiente, um dos meninos era uma criança, deveria ter 11 ou 12 anos, enquanto o outro teria 17 e claro, moravam em um colégio católico onde era monitorados 24 horas por dia.
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Além de tudo isso, nada parece se comparar a atuação do menor, Didier Haudepin. Dentre todos os atores, ele sem dúvida alguma foi o melhor, teve um papel importante e conseguiu fazer do personagem uma pessoa física que vivia nele. É incrível todas as emoções que ele trazia com apenas olhares e expressões faciais. Confesso que me senti igual ao mais velho, Francis Lacombrade, quando vi Didier entrar em cena.
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O romance entre eles se estabelece por cartas e bilhetes de encontro, onde não faziam nada mais do que trocar meia duzia de palavras e declarações, desde o inicio que aquilo havia sido uma paixão adolescente conduzida pelo mais velho. Não houve toques nem mesmo contato algum que fosse mais atrevido, no máximo um deslizar de mãos sobre a bochecha e uma mão sobre o ombro.
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Porém o que faltava em toque físico, eles transmitiam pela escrita, algumas vezes foram pegos sim, mas eram fortes juntos e tramavam em como sair daquela sem levantar maiores suspeitas. O pequeno logo se mostrou mais necessitado de demonstrações de afeto da parte do outro, pois ele se provava ser valente e corajoso. Rebelde.
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Não deixava que os padres o fizessem a cabeça, pois era criança e achava saber mais que todos, nem mesmo os temia diferente do mais velho. Depois da troca de supervisor de quartos dos maiores, Francis foi descoberto com o pequeno pelo novo padre e conseguiu com que ele não falasse para nenhum dos pais deles, colocou a culpa sobre si e jurou que era apenas uma amizade especial, nada do que ele pensava. Claro que o padre não acreditou, mas depois de tanta lábia dos dois e a resistência do menor em dizer algo, ele acaba influenciando o maior que parecia mais vulnerável.
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Convence ele já perto das férias de que deveria se distanciar do outro e que isso era para salva-lo do demônio, pois segundo o padre uma criança agir de forma rebelde não era normal e só o mais velho que já possuía sua confiança poderia ajuda-lo a entrar no céu.
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Francis acaba entregando as cartas que Didier fizera pra ele ao padre depois de tanta insistência, mas não tivera coragem de dizer que estava terminando com o menino, pois ele não queria terminar a relação que tinham, então com uma última carta que tinha escrito pra ele foi embora sem se despedir deixado. O padre então teve de dizer ao menino toda a mentira que ele achava que tinha mudado o mais velho, falando pra ele que o sentimento não havia sido forte o bastante do lado dele e que Didier devia deixar de gostar dele igualmente.
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Mostrou as cartes para reforçar o que dizia, as cartas seriam o simbolo de afeto deles ou seja, se o mais velho deu as cartas de amor que o menor havia feito para ele, ao padre era porquê não se importava mesmo com o que tinham. O menino ainda tentou ter esperança e se agarrar ao pensamento de que o padre estava mentindo e quando mencionou que iria atrás do outro, ouviu da boca do senhor que ele já havia ido embora sem se despedir é nesse momento que vemos algo se quebrar na criança, a esperança já não existia mais.
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Ele se cala e segue o padre para o trem que os levaria pra casa, junto de outras crianças no mesmo vagão ele se mostra pensativo e sem vida, estava alheio a todos ao redor, parecia que a dor não lhe cabia. Ele não chorou, não teve reação, pra ele não tinha volta, o mais velho quebrará o pacto de sangue que haviam feito em um dos encontros secretos, além de negar seu amor (as cartas).
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A cena a seguir é melancólica, ele sai do compartimento sob o olhar do padre e se aproxima da janela olhando a paisagem do trem em movimento, pega suas cartas que guardava em um bolso próximo ao peito e derramando a primeira lágrima rasga elas ao meio, ele queria destruir o que sentia com aquilo, mas vendo os pedaços do papel voando pra longe viu que não era tão simples, ele estava sofrendo.
Com o foco agora no rosto do pequeno podemos observar a mudança violenta da dor para a morbidez de um pensamento.
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A cena fica carregada e tensa nos dando a entender o que ele faria, quando o trem começou a cruzar uma ponte alta e seu olhar decaiu para o perigo, sem olhar pra mais nada a não ser aquele fundo, sua mão cegamente aperta o trinco e o abaixa. E é assim que perdemos o nosso garotinho.
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O padre sente na pele o remorso por ter mentido para a criança, quando se atenta a demora dele e vai atrás só encontrando a porta aberta. Ele vai até a caso do mais velho que já sabia do ocorrido e lhe entrega de volta suas cartas e uma foto especial que toca, onde Didier dormia despreocupado naquele mesmo vagão, a imagem de um anjo eternizada.
Depois disso no enterro e as ultimas homenagens, o mais velho conversa com ele mesmo prometendo que ele nunca morreria em si e que sempre o amaria. Achei meio romantizado demais essa morte, mas coube ao momento e a relação que tinham, antigamente as coisas não eram tão superficiais como hoje.
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Filme maravilhoso, cativante e triste.
Mas acima de tudo talentoso, uma recordação velha de um tempo com normas e hábitos diferentes, foi interessante de viver um pouco dessa vida com eles, uma relíquia do cinema também, quando os filmes ainda não eram em cores.










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