- 1998 -
Cidade dos Anjos.
Um filme com a minha idade, um clássico que continua vivo, ele ainda me trás todas as emoções da primeira vez que o assisti. O que parece loucura, visto que ainda era criança, mesmo assim, eu o tinha na memória como apaixonante e doloroso. Dia 21 de Junho desse ano, baixei o filme despretensiosamente, pra poder revê-lo com outros olhos. Digo isso pois hoje com 21 anos talvez não tanto, mas a visão é diferente, no entanto, ainda agora, me sinto tão desolado como na primeira vez.
Essa história vem pra nos deixar curiosos, o maior segredo da vida é o que vem após ela, muitos acreditam em várias teorias diferentes. Que você dorme em sono eterno até o dia do juízo final ou que dependendo das suas ações terrestres você será levado ao céu ou inferno e algumas até dizem que você passa por uma transição e depois volta novamente a terra em uma nova vida, dando continuidade aos seus aprendizados espirituais. É realmente um mistério o que de fato acontece e só saberemos com certeza quando chegar nossa vez.
Gosto da idéia que a trama trás de que somos tocados por anjos a todo momento e eles são como esponjas que absorvem nossos sentimentos ruins, ao mesmo tempo em que derramam sensações boas para que tenhamos forças ao decorrer do dia. Anjos são puros e inocentes, crianças, pessoas de espirito elevado e animais podem vê-los e isso se explica por justamente serem essa minoria não corrompida com os desejos humanos. A atuação de Nicolas Cage 'Seth' é surpreendente, cheguei a me perguntar se ele era mesmo humano, seu rosto parecia o de uma criança ansiosa por saber mais, querendo aprender, querendo saber, sua abordagem ao personagem foi perfeita.
Uma coisa que me deixou bem pensativo durante todo o dia de ontem, foi que um homem conhecido, faleceu numa batida de carro enquanto ia pregar numa igreja, junto a esposa. Os dois não tinham filhos, apesar disso tentavam a todo custo, eram carne e unha, viviam em conjunto. Saber dessa notícia me deixou preocupado... Assim como Maggie deixou Seth sem ao menos uma chance de lutar, Maurício infelizmente deixou esse plano e se juntou ao espiritual. Algo que devia ser a salvação completa, se torna um pesadelo sem fim a esposa, temo por ela e me pergunto se conseguirá continuar sozinha. Como irá ver a morte do marido? Ficará zangada com Deus o culpando? Seguirá em frente pois confia que ele está no melhor lugar que se pode estar? Ou então... Desistirá dos anos que ainda lhe restam? São tantas questões...
Isso somado ao filme me faz borbulhar em questionamentos... Não acredito que Deus age em nossas vidas diretamente, não acredito que ele salva apenas algumas pessoas com a desculpa de que "Não era sua hora ainda". Acreditar que Deus escreve nosso destino e interage nele é acreditar também de que ele mata pessoas de fome em vários lugares do mundo, que ele deixa crianças serem violentadas em cada ''Lar'' que ocorre e também... Que quando salva alguns, eles valem mais do que outros e eu não consigo acreditar que Deus faria coisas assim. Logo não acredito que era a hora do nosso amigo e que a esposa sobreviveu porque tinha coisas pra resolver ainda. É complexo tentar escolher um lado nessa questão...
O filme me trouxe muitos questionamentos sobre vida e morte, também me deu a certeza de algo que só sentimos quando alguém próximo morre de forma súbita. Que é quando notamos o quão frágil somos, que um carro em determinada velocidade nos mata, tomando um café de manhã, um ataque cardíaco também nos leva. Podemos estar firmes em qualquer situação, coisas acontecem e nós brincamos entre o físico e o espiritual em questão de segundos.
Casstiel pergunta a Seth se ele cairia novamente, mesmo sabendo o que aconteceria no fim e na resposta dele, cada um de nós se encontra:
"Eu prefiro ter sentido sentido seu cabelo uma vez, ter dado um beijo uma vez, ter tocado uma vez sua mão... Do que uma eternidade sem isso. Uma vez"
Seth definiu o que é ser humano.
É ter a dádiva de poder amar de forma intensa sem arrependimentos.









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